Outubro é, para a Igreja Católica, um mês especialmente dedicado à missão. É um tempo em que somos convidados a recordar que todo batizado é chamado a anunciar o Evangelho.

Quando ouvimos a palavra “missão”, muitas vezes pensamos em alguém que deixa sua cidade, vai para outro país, entra em uma comunidade distante e começa a anunciar Jesus. Essas experiências existem e são muito bonitas. Mas a missão da Igreja é muito maior.

A missão começa onde estamos.

Começa dentro de casa, na família, no trabalho, na comunidade, na paróquia. Começa quando decidimos viver a nossa fé não apenas como algo particular, mas como um testemunho que pode tocar a vida de outras pessoas.

E é justamente aqui que podemos fazer uma ligação muito bonita entre o Mês das Missões e a diaconia.

Todo batizado é chamado a servir

A palavra “diácono” está profundamente ligada à ideia de serviço.

O diácono não recebe um ministério para ocupar um lugar de destaque, mas para colocar a própria vida a serviço de Deus e dos irmãos.

E isso nos ensina algo que vale para todos os cristãos: a missão nasce de um coração disposto a servir.

Jesus não ensinou apenas com palavras. Ele se aproximou dos pobres, dos doentes, dos pecadores, das famílias, daqueles que sofriam. Tocou feridas, escutou pessoas, alimentou multidões e lavou os pés dos seus discípulos.

Antes de dizer “Ide e anunciai”, Cristo nos mostrou como deveria ser o coração de quem anuncia.

Um coração que serve.

Missão não é somente falar de Jesus

É claro que anunciar o Evangelho significa falar de Cristo. Precisamos conhecer nossa fé, professá-la e anunciá-la.

Mas a missão cristã não pode se resumir às palavras.

Às vezes, uma pessoa precisa primeiro encontrar alguém que a escute.

Uma família precisa encontrar alguém que a acolha.

Uma pessoa que está sofrendo precisa perceber que não está sozinha.

Uma criança precisa encontrar um adulto que lhe ensine a rezar.

Um idoso precisa sentir que continua sendo importante.

Alguém afastado da Igreja precisa encontrar uma comunidade que não o receba com julgamento, mas com misericórdia.

Tudo isso também é missão.

Porque quando servimos com amor, estamos tornando o Evangelho visível.

A diaconia: uma vida colocada a serviço

Como diácono permanente, essa palavra — serviço — ganha para mim um significado muito concreto.

O ministério diaconal me recorda que não fui chamado apenas para estar diante do altar, proclamar a Palavra ou exercer uma função litúrgica.

Fui chamado a servir.

Servir à Igreja.

Servir às comunidades.

Servir às famílias.

Servir àqueles que precisam de uma palavra, de uma oração, de uma presença.

E, principalmente, servir sem esquecer que o centro não sou eu. O centro é Cristo.

Essa é uma das grandes riquezas da diaconia: lembrar que a autoridade cristã nunca pode ser separada do serviço.

Quanto mais nos aproximamos de Cristo, mais somos enviados para perto das pessoas.

Somos uma Igreja em saída

O Papa Francisco insistiu muitas vezes na imagem de uma Igreja em saída.

Uma Igreja que não fica fechada dentro de si mesma.

Uma Igreja que vai ao encontro.

Uma Igreja que conhece as dores das pessoas.

Uma Igreja que não espera que todos cheguem até ela, mas também sabe caminhar em direção aos que estão afastados.

E isso vale para cada um de nós.

Talvez a nossa missão não seja atravessar oceanos.

Talvez seja atravessar a rua para visitar alguém.

Talvez não seja falar para uma multidão.

Talvez seja conversar com uma única pessoa que precisava muito daquela palavra.

Talvez não seja fazer algo extraordinário.

Talvez seja simplesmente fazer aquilo que está ao nosso alcance com amor e por amor a Cristo.

Uma oração pela nossa missão

Senhor Jesus, fazei de nós discípulos verdadeiramente missionários.

Dai-nos um coração disponível para servir,
olhos capazes de enxergar quem sofre,
ouvidos para escutar quem precisa ser acolhido
e mãos dispostas a ajudar.

Que nossa vida anuncie o Evangelho não apenas pelas palavras, mas também pelas nossas atitudes.

Abençoai nossas famílias, nossas comunidades e todos aqueles que dedicam sua vida à missão.

E ensinai-nos, Senhor, que servir aos irmãos é também uma maneira de servir a Vós.

Amém.

E na D’Moura...

Na D’Moura, acreditamos que os objetos religiosos também podem nos ajudar a manter viva a nossa fé dentro de casa e recordar diariamente aquilo em que acreditamos.

Uma imagem, um terço, um crucifixo ou outro artigo religioso não substitui a oração e muito menos a vida cristã. Mas pode ser um sinal que nos ajuda a lembrar de Deus no meio da correria do dia a dia.

Porque a fé que celebramos na Igreja precisa continuar conosco quando voltamos para casa.